sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Porto seguro

Existem poucas pessoas assim. Mas existem. Pessoas cujo nome acompanha essa denominação de "porto seguro". Pessoas que são como rochas inabaláveis que aguentam, intactas, o bater furioso das nossas ondas. Eu vou e volto. Fortaleço e esmoreço. Renovo e canso. Sorrio e choro, mas meu barco tem sempre um porto para voltar. Posso contar nos dedos as pessoas que são assim, que perto ou longe me dão esse abraço de esperança. Que aliviam o peito e acalmam o coração com meia dúzia de palavras. Que me inundam de um conforto que eu não posso explicar. Que carregam meu coração nas mãos e colocam pra ninar. Que me fazem dormir sorrindo e transformam meu medo em confiança para lutar.
Essas pessoas são raras, mas são certas. É quase impossível identificar, mas quando menos esperamos, estamos acomodados, dentro dos seus braços, protegidos e salvos. Amam minhas loucuras e meus defeitos, compreendem meus desesperos e, se for preciso, gritam junto comigo. Minha maré sobe e desce. Meu convés alaga e esvazia. Minha vela debate, enfurecida, ou navega suave, na brisa. Meu leme apruma ou desgoverna. A proa sacode, alerta, mas meu navio sem destino, tem um lugar pra voltar.


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